Casos de burnout aumentaram aceleradamente e elevam despesas do INSS, com impacto em produtividade, estabilidade trabalhista e mais ações judiciais.
O crescimento dos afastamentos por burnout tem pressionado o orçamento previdenciário e acendido alertas entre empregadores e governos. Dados oficiais mostram aumento expressivo nos pedidos por esgotamento ocupacional.
Em 2024 o INSS registrou 472,3 mil auxílios vinculados à saúde mental, categoria que engloba depressão e ansiedade, e o ritmo de 2025 indica continuidade da tendência, segundo estatísticas do governo.
Trabalhadores descrevem insônia, irritabilidade, lapsos de memória e crises de pânico, e relatam que estigma e medo atrasam a busca por ajuda, agravando o quadro clínico e o impacto econômico, conforme divulgado pela FolhaPress.
Números e pressão sobre a Previdência
Os auxílios por esgotamento no trabalho subiram 493%, de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024, e os seis primeiros meses de 2025 somaram 3.494 pedidos, 71,6% do ano anterior. Gastos com auxílios cresceram 68% entre 2022 e 2024.
Por que o aumento ocorre
Especialistas apontam fatores como ampliação do home office, maior tempo conectado, precarização e “uberização”, além de jornadas longas e disponibilidade permanente. Profissionais e pesquisadores citam essas causas como determinantes do burnout.
Consequências para trabalhadores e empresas
Auxílios por doença ocupacional não exigem carência no INSS e garantem estabilidade de 12 meses ao retornar, o que amplia a base de beneficiários e afeta contribuições. Processos trabalhistas também aumentam, pressionando as empresas.
Menções a burnout em ações passaram de 17,2 mil em 2024 para 20,1 mil em 2025, criando um passivo estimado de R$ 3,63 bilhões, com valor médio por ação em torno de R$ 286 mil, segundo levantamento de escritórios jurídicos.
Medidas, direitos e fiscalização
Desde 2023 a síndrome foi reforçada como doença ocupacional e o MTE exigiu mapeamento de riscos psicossociais, com início das multas adiado para maio de 2026. Para obter auxílio-doença é preciso atestado com CID e comprovantes que vinculem o adoecimento ao trabalho.
Relatos de trabalhadores como Carla Ramalho e Ana Carolina Rangel reforçam que o problema é de saúde pública e estrutural, e que políticas empresariais de prevenção e apoio são essenciais para reduzir custos e sofrimento.

