Acusação de ordem letal reacende polêmica sobre Cappelli
Mariana Naime afirma que coronel da PMDF recusou usar munição letal em 8 de janeiro; fala pressiona pré-campanha de Ricardo Cappelli
A declaração de Mariana Naime, esposa do coronel da PMDF Jorge Eduardo Naime, trouxe novo combustível ao debate sobre os bastidores da crise de 8 de janeiro de 2023. Em entrevista ao jornalista Luís Lacombe, ela afirmou que o então interventor federal Ricardo Cappelli teria ordenado o uso de “força letal” contra os manifestantes, mas que seu marido resistiu à ordem, evitando um “derramamento de sangue”. Segundo Mariana, a recusa de Naime chegou a ser relatada em audiência no Supremo Tribunal Federal por seu ajudante de ordens.
Na época, Cappelli assumiu o comando da segurança do DF por decreto presidencial e hoje atua como presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em articulação política para disputar o Governo do Distrito Federal em 2026. O episódio, no entanto, ressurge como um peso em sua trajetória.
Documentos oficiais da intervenção não registram diretriz para emprego de munição letal, e Cappelli sempre negou ter dado ordem nesse sentido. Ainda assim, a fala de Mariana reforça a narrativa de confronto entre ele e Naime, que passou 461 dias preso preventivamente e ainda responde a processo no STF por suposta omissão no mesmo episódio.
A acusação, embora sem documento formal que a comprove, atinge em cheio a imagem de Cappelli, visto por críticos como apadrinhado de Flávio Dino. Para adversários políticos, a entrevista expõe a face autoritária de sua atuação; para aliados, trata-se de uma versão sem respaldo nos atos oficiais. A polêmica, entretanto, recoloca o nome de Cappelli no centro de um debate sensível que pode influenciar diretamente sua ambição eleitoral.