Caracas adverte que ataque à Venezuela será uma “calamidade” para os EUA
“Seremos a sua calamidade, seremos o seu pesadelo, e isso também significará a instabilidade de todo este continente. Por isso, o apelo é pela paz. Acalmem-se, senhores falcões dos Estados Unidos. Acalmem-se, tranquilizem-se, porque vão causar um grande dano ao próprio país de vocês”, disse, na sexta-feira, a vice-presidente da Venezuela.
Delcy Rodríguez fez a declaração no estado de Carabobo, durante uma jornada de dois dias de alistamento voluntário da população para defender o país das supostas ameaças dos Estados Unidos.
A dirigente destacou que os venezuelanos estão unidos, prontos e preparados para defender a pátria.
“Estamos prontos para defender a Venezuela em união nacional, em paz e tranquilidade, para garantir o nosso futuro. Que aqueles que estão no Norte [EUA], que pensam em uma agressão militar contra a Venezuela, saibam que vão se dar muito mal”, afirmou.
Segundo Rodríguez, a Venezuela enfrenta “uma das calúnias mais terríveis, criada para justificar uma intervenção” dos EUA e se apoderar dos recursos energéticos do país.
“A questão do arquiteto do ‘narcoestado’ é simplesmente uma grande calúnia, mas não é novidade. É um padrão histórico dos EUA intervir em países que não são aliados, sempre que querem roubar seus recursos naturais”, disse.
A vice-presidente lembrou que, em 2002, quando o então presidente Hugo Chávez foi temporariamente afastado do poder, a estatal petrolífera venezuelana ficou paralisada por 62 dias, gerando perdas de mais de 25 bilhões de dólares (cerca de 21,4 bilhões de euros) para o país.
“A Venezuela sabe, por isso, como é importante o alistamento dos trabalhadores da indústria de hidrocarbonetos. A Venezuela e seus trabalhadores têm plena consciência do que significa possuir as maiores reservas de petróleo e gás do mundo. E aqui estão os trabalhadores dizendo: estou pronto, estou pronta para defender a paz e a tranquilidade”, declarou.
Rodríguez também afirmou que o bloqueio econômico imposto pelos EUA provocou uma onda migratória, mas ressaltou que, apesar disso, o país já acumula 17 trimestres de recuperação.
“O que significou o bloqueio econômico? Uma migração econômica induzida. O povo venezuelano nunca tinha migrado. Partiu sob o pretexto de buscar novos horizontes materiais, uma esperança econômica. E já sabemos o que aconteceu: foram rejeitados, vítimas de xenofobia e de discriminação no trabalho (…) E o que vai acontecer aos EUA será ainda pior. Se se atreverem a uma agressão, será muito pior para eles”, afirmou.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou na quarta-feira os EUA de violarem o Tratado de Tlatelolco de 1967 — que declarou a América Latina e o Caribe zonas livres de armas nucleares — ao enviarem forças militares para o Caribe, incluindo navios lança-mísseis e fuzileiros navais.
No dia 18 de agosto, Maduro ordenou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em todo o país, depois de os EUA terem aumentado de 25 para 50 milhões de dólares (43 milhões de euros) a recompensa por informações que levem à sua prisão.
No dia seguinte, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Washington está preparado para “usar todo o seu poder” a fim de conter o “fluxo de drogas para os EUA”, o que inclui o envio de navios e soldados para águas próximas à Venezuela.
Em resposta, Maduro acusou os EUA de buscarem uma “mudança de regime” de forma “terrorista e militar”.
Segundo a CNN, os EUA começaram a enviar 4.000 fuzileiros para águas da América Latina e do Caribe para combater cartéis de drogas, além de reforçarem a presença militar na região com aviões-radar e três contratorpedeiros com capacidade antimísseis.
Em 21 de agosto de 2025, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo aos Estados Unidos e à Venezuela para que “resolvam suas diferenças por meios pacíficos”.
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