Contabilidade ganha força e busca unificação no DF
Setor defende valorização e criação de carreira pública para padronizar métodos e melhorar contas do governo
Por Cláudio Ulhoa
Os profissionais de contabilidade do Distrito Federal voltaram ao centro do debate institucional neste fim de ano, impulsionados pela atuação das entidades do setor e pelo trabalho da Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais de Contabilidade, presidida pelo deputado Roosevelt. A categoria, que reúne cerca de 15 mil contadores e técnicos contábeis e mais de 3 mil empresas especializadas, vive um momento de reorganização política e técnica, motivada pela necessidade de modernizar processos e fortalecer o vínculo entre o setor produtivo e o Estado.
Uma das principais conquistas recentes foi a aprovação da lei que garante atendimento preferencial ao contador nos órgãos públicos do DF. A medida, celebrada tanto por profissionais do setor privado quanto por servidores públicos, responde a uma reclamação antiga: o excesso de retrabalho causado pela falta de compreensão técnica do contribuinte ao buscar atendimento direto em unidades da Receita do DF ou da Secretaria de Economia.
De acordo com especialistas, quando o contribuinte vai sozinho aos órgãos públicos em busca de explicações sobre notificações, pendências ou exigências fiscais, muitas vezes acaba gerando inconsistências que exigem reavaliação posterior. O contador, por outro lado, chega com a informação traduzida, amadurecida e alinhada às normas contábeis. Na prática, isso significa menos erros, mais agilidade e mais segurança jurídica tanto para o profissional quanto para o Estado.
Mas o maior desafio não está na porta de entrada das repartições públicas, e sim dentro delas. Atualmente, o Governo do Distrito Federal possui 15 carreiras diferentes que abrigam cargos de contador e técnico contábil, distribuídas entre administrações regionais, secretarias e autarquias. Cada carreira tem regimentos, métodos e atribuições próprias, um cenário que gera desencontros de procedimentos e prejudica a uniformidade das informações oficiais.
Na visão de lideranças do setor, essa fragmentação compromete inclusive a prestação de contas do governo. O Tribunal de Contas do DF (TCDF), no relatório das contas de 2024, apontou ressalvas justamente na área contábil, destacando fragilidades no controle e na padronização dos registros. Para especialistas, esse diagnóstico reforça a urgência de criar uma carreira única de contador público, com metodologia unificada e formação direcionada.
O presidente da Associação dos Contabilistas Públicos do DF, Wagner, defende que a unificação representa um salto técnico necessário. “São 15 formas diferentes de registrar, interpretar e apresentar dados. Isso compromete o controle e gera riscos de inconsistência. Uma carreira única significa alinhamento, precisão e segurança para as contas do governo”, explica.
No setor privado, a avaliação também é positiva. O presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal (CRC-DF), Darlan Barbosa, lembra que a valorização do contador é essencial para a economia local. “A contabilidade é a espinha dorsal de qualquer empreendimento. É o contador que traduz a linguagem do negócio e conecta o empresário ao Estado. Quando esse profissional é bem atendido e valorizado, o ambiente econômico inteiro se fortalece”, destacou.
Para o deputado Roosevelt, a reorganização do setor é estratégica para o DF. Ele reforça que a prioridade da Frente Parlamentar é consolidar avanços, articular a criação da carreira unificada e reduzir gargalos que afetam a administração pública. “O contador é peça-chave para a qualidade das informações que chegam ao governo. Valorizar a contabilidade é valorizar a eficiência do Estado”, afirmou.
Com expectativa de novas discussões em 2025, o setor contábil inicia o próximo ano mais unido e fortalecido, preparando terreno para mudanças estruturais que podem redefinir a forma como o DF produz, registra e analisa suas informações fiscais.


