Fósseis de 770 mil anos podem revelar ancestral comum
Estudo na Nature descreve fósseis de 770 mil anos do Marrocos com traços mistos, possíveis antecessores comuns de H. sapiens, neandertais e denisovanos.
Pesquisadores anunciaram a descoberta de fósseis de 770 mil anos em uma caverna perto de Casablanca, no Marrocos. Os materiais apresentam uma combinação de traços primitivos e características mais modernas do gênero Homo.
Os restos incluem três mandíbulas, dentes isolados, vértebras e um fragmento de fêmur com marcas de roedura possivelmente de hiena. As escavações sistemáticas começaram nos anos 1990 e reuniram fauna e ferramentas de pedra.
Uma datação baseada em reversões do campo magnético terrestre aponta para cerca de 770 mil anos, idade que se aproxima das estimativas genéticas para a separação de linhagens humanas. O trabalho foi publicado na revista Nature, conforme divulgado pela Folha de S.Paulo.
Localização e contexto da descoberta
Os fósseis vieram da chamada Grotte à Hominidés, caverna formada por ação marinha e depois preenchida por sedimentos marinhos e continentais. A posição geográfica, próxima ao Estreito de Gibraltar, reforça conexões entre África e Europa.
Datação e relevância evolutiva
A idade atribuída aos achados coincide com o início do Pleistoceno Médio. Se confirmada, a marca de 770 mil anos cai perto das estimativas moleculares da divergência entre as linhagens que originaram humanos modernos e os grupos eurasiáticos.
O que dizem os cientistas
A equipe chefiada por Jean-Jacques Hublin entende que esses fósseis podem representar populações africanas próximas à raiz da ancestralidade compartilhada. Outros especialistas pedem cautela e preferem ver as peças como linhagens aparentadas.


