Tarcísio enfrenta pressões por convênios parados e prefeitos cobram liberação de verbas; governo diz ter feito repasses e investimentos diretos a municípios
O governo do Tarcísio de Freitas foi alvo de críticas de aliados e prefeitos após represar transferências destinadas a obras e compras para 2025, frustrando entregas esperadas em ano pré-eleitoral e gerando reclamações públicas.
Prefeitos relatam atrasos na assinatura de convênios e na liberação de recursos, atribuídos a entraves entre secretarias e ao fluxo de análise interno no Palácio dos Bandeirantes; a situação reacendeu tensões políticas locais.
Em resposta, o Palácio afirmou que, além das transferências, fez investimentos diretos no estado e relembrou repasses feitos ao longo do mandato, medidas que, segundo aliados e gestores municipais, não evitaram insatisfação e pressão regional, conforme divulgado pela FolhaPress.
Dados financeiros e liberação tardia
Em valores corrigidos pela inflação, o estado empenhou R$ 1,7 bilhão para repasses a municípios em 2024 e, até meados de dezembro de 2025, havia empenhado cerca de R$ 1,27 bilhão. Na última semana do ano foram liberados mais R$ 424 milhões.
As emendas voluntárias também caíram, de R$ 367 milhões em 2024 para R$ 171 milhões em 2025, e o governo afirma ter enviado R$ 3,5 bilhões aos municípios no total do mandato, além de investimentos diretos estimados em mais de R$ 30 bilhões em mobilidade e logística.
Pressão de prefeitos e risco à aliança
Prefeitos da base de Tarcísio fizeram atos regionais cobrando repasses, como em Anhumas, onde uma faixa pedia socorro, e líderes do interior articulam movimentos semelhantes, enquanto prefeituras ligadas ao PP avaliam apoiar outro candidato.
A demora na liberação afetou obras pequenas e compras previstas, como reformas de prédios da guarda municipal, melhorias em escolas, tratores e campos de futebol, segundo listas de projetos apontadas por municípios e pela Secretaria de Governo.
Atritos internos e o fluxo de decisão
Aliados atribuem parte do problema a um gargalo entre a Casa Civil, chefiada por Arthur Lima, e a Secretaria de Governo, comandada por Gilberto Kassab, cuja pasta concentrou cerca de 65% dos repasses em 2025, segundo levantamento de executivos estaduais.
Fontes ouvidas pela reportagem dizem que acordos fechados com assessores da Casa Civil não avançaram ao chegar à Secretaria de Governo, o que teria atrasado convênios e liberado tensões políticas entre deputados, prefeitos e a gestão estadual.

