Discurso em Maceió ignora dados, reescreve a pandemia e tenta apagar avanços do governo Bolsonaro
Por Cláudio Ulhoa
O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Maceió, durante um evento do programa Minha Casa, Minha Vida, não surpreende pelo conteúdo, mas pela insistência em uma estratégia já conhecida: transformar o palanque em instrumento de ataque político e reescrever a história recente do país para justificar os próprios fracassos. Ao afirmar que adversários “destruíram o Brasil” e que “não voltarão a governar”, Lula opta por uma retórica emocional que ignora dados objetivos e desconsidera os fatos.
Ao responsabilizar o governo anterior pelas mortes na pandemia, o presidente ignora deliberadamente que o Brasil enfrentou uma crise sanitária global, que atingiu duramente países governados por líderes de diferentes espectros ideológicos. Durante o governo Jair Bolsonaro, o país manteve o SUS funcionando, ampliou leitos, distribuiu recursos a estados e municípios e garantiu auxílio emergencial que evitou o colapso social de milhões de famílias. Reduzir um fenômeno mundial complexo a uma narrativa simplista de culpa política é desonesto e serve apenas à militância.
Lula também afirma que o governo anterior prometeu empregos e entregou desemprego. Os números desmentem essa versão. Em 2022, o Brasil registrou a menor taxa de desemprego em anos, com recuperação econômica consistente após a pandemia. Houve crescimento do PIB, controle da inflação dentro do cenário internacional adverso e avanço em reformas estruturais que hoje sustentam a arrecadação recorde, ironicamente celebrada pelo próprio governo atual.
É justamente essa arrecadação que desmonta outro ponto do discurso presidencial. O desempenho fiscal atual não é fruto de genialidade administrativa, mas consequência direta de reformas como a trabalhista e a previdenciária, além de medidas de desburocratização e responsabilidade fiscal adotadas antes. Ainda assim, o governo Lula escolheu ampliar gastos, criar déficits e apostar em políticas assistencialistas sem portas claras de saída, empurrando a conta para o contribuinte.
Ao contrário do que Lula tenta vender, o Brasil não vive hoje um momento de prosperidade. O custo de vida aumentou, a insegurança econômica voltou a assombrar famílias e investidores, e o governo parece mais preocupado em disputar narrativas do que em apresentar soluções concretas. O país nunca esteve tão mal na confiança do mercado, na previsibilidade fiscal e na credibilidade institucional desde o fim da pandemia.
O discurso de Maceió não foi um ato de liderança, mas um comício antecipado. Lula governa olhando para trás, atacando adversários e evitando assumir responsabilidades. O Brasil precisa de gestão, não de palanque. Precisa de verdade, não de versões convenientes da história.


