Soberano Opina – Luxo e descaso | Os bastidores da viagem de Janja à França
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Governo gasta R$ 18 mil em diárias para assessores da primeira-dama enquanto falta transparência e sobram dúvidas sobre a real função da comitiva
Por Cláudio Ulhoa
A recente viagem da primeira-dama Janja à França, acompanhada por quatro assessores, custou aos cofres públicos R$ 18 mil apenas em diárias. A comitiva, que participou da cúpula “Nutrição para o Crescimento” em Paris, não teve suas despesas com passagens aéreas e alimentação detalhadas — o que acende um alerta sobre a transparência no uso do dinheiro público.
Os nomes dos acompanhantes — os mesmos levados a Roma meses antes — reforçam a percepção de repetição e possível aparelhamento. O que chama atenção não é a viagem em si, mas a dificuldade em justificar a necessidade de quatro assessores para acompanhar uma representante sem cargo eletivo ou função oficial definida.
A crítica aqui não se trata de gênero, como alguns tentam alegar, mas sim de responsabilidade com o erário. O uso de recursos públicos exige critério, prestação de contas e, sobretudo, exemplo. Quando o cidadão comum mal consegue pagar suas contas, ver cifras generosas gastas sem explicações convincentes é um tapa na cara da população.
A primeira-dama pode e deve participar de agendas institucionais, mas o limite entre o que é institucional e o que é privilégio pessoal precisa ser respeitado. Afinal, quem paga essa conta é o povo.