Trump revoga vistos da Autoridade Palestina às vésperas de Assembleia-Geral da ONU em Nova York

Publicado em: 29/08/2025 20:28


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Departamento de Estado americano anunciou nesta sexta-feira (29) que o governo de Donald Trump começou a revogar e negar vistos a membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Palestina antes da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que acontecerá em em setembro, em Nova York.

De acordo com o comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, leva em frente o que o governo Trump diz ser um assunto de interesse da segurança nacional: “responsabilizar a OLP e a Autoridade Palestina por não cumprirem seus compromissos e por minar as perspectivas de paz”.

A nova medida demonstra o alinhamento do governo americano com o do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Trump afirmou na última quarta-feira que está pressionando o governo israelense para que acelere suas operações militares na Faixa de Gaza de modo que a guerra possa terminar o quanto antes.

Segundo o site americano Axios, Trump não se opõe ao controverso plano de Netanyahu para ocupar a Cidade de Gaza, o maior centro urbano do território palestino. Ao mesmo tempo, o presidente fez críticas aos desdobramentos do conflito, que completará dois anos no próximo dia 7 de outubro.

“Não consigo mais assistir [a guerra entre Israel e Hamas]. É uma coisa terrível”, disse Trump a integrantes de sua equipe, segundo uma autoridade mencionada pelo Axios. O presidente, assim, teria exigido ao governo israelense que as operações sejam concluídas rapidamente, embora sem estabelecer um prazo.

Na decisão de revogar e negar os vistos desta sexta, o departamento americano ainda afirmou que, para OLP e Autoridade Palestina serem “consideradas parceiras pela paz”, as organizações devem por fim ao que chamou de “tentativas de contornar as negociações por meio de campanhas de guerra jurídica internacional”.

O texto ainda reafirma que o governo Trump permanece aberto a um “reengajamento que seja consistente com as leis, caso a Autoridade Palestina e OLP cumpram suas obrigações e demonstrem tomar medidas concretas para retornar a um caminho construtivo de compromisso e coexistência pacífica com o Estado de Israel”.

A pressão relatada por Trump na quarta-feira para que Israel acelere as operações em Gaza destoa de medidas adotadas por seu antecessor na Casa Branca, Joe Biden. O democrata falou em condicionar o apoio a Tel Aviv a uma mudança de postura do aliado e chegou a cobrar um cessar-fogo imediato para estabilizar a região, proteger civis e conter a crise humanitária.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, Trump prometeu encerrar a guerra em Gaza de forma rápida. Sete meses após o início de seu segundo mandato, no entanto, nenhuma solução foi alcançada.

Enquanto isso, a crise humanitária se intensifica no território. Tanques israelenses avançaram nesta quarta sobre o bairro de Ebad-Alrahman, na Cidade de Gaza, destruindo casas e levando moradores a fugir.

Israel aprovou um plano para tomar o local, que descreve como o último bastião do Hamas, apesar de o governo já ter afirmado que o grupo terrorista não existe mais como força militar no território. Cerca de metade dos dois milhões de habitantes de Gaza vive atualmente na cidade, e Israel afirmou que eles terão de se deslocar.

Pelo menos por ora, a possibilidade de uma trégua na região parece distante. Questionado sobre os planos para a criação de um Estado palestino, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou na quarta (27) que essa possibilidade está descartada.


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