Luís Miranda distorce dados e ataca Fred Linhares
Ex-deputado divulga vídeo com informação falsa sobre faltas na Câmara e tenta reescrever sua própria trajetória política no DF
O ex-deputado federal Luís Miranda voltou ao debate político do Distrito Federal por meio de um vídeo nas redes sociais que levanta questionamentos não apenas sobre seu conteúdo, mas principalmente sobre sua credibilidade. Na gravação, Miranda acusa o deputado federal Fred Linhares de ter faltado 119 vezes às sessões da Câmara dos Deputados. O problema é que o próprio documento exibido no vídeo desmente a narrativa: ele registra exatamente o oposto, com 119 presenças e apenas duas faltas.
A contradição explícita entre a acusação verbal e os dados oficiais apresentados evidencia, no mínimo, desinformação. No máximo, sugere má fé. Em tempos de debate público fragilizado por fake news, o episódio reacende a discussão sobre o uso irresponsável de informações para atacar adversários políticos e confundir a opinião pública.
Luís Miranda não é um personagem desconhecido do eleitor brasiliense. Ele foi eleito deputado federal em 2018 surfando na onda do bolsonarismo, sem histórico político sólido no Distrito Federal. Sua projeção nacional ocorreu quando, já no mandato, denunciou o então presidente Jair Bolsonaro por suposta prevaricação durante a CPI da Covid, relacionada à compra de vacinas na pandemia. À época, ganhou visibilidade e espaço na mídia, mas não conseguiu converter capital político em base eleitoral consistente.
Em 2022, Miranda decidiu abandonar o eleitorado do DF e transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, numa tentativa clara de sobrevivência política. O resultado foi o fracasso nas urnas. Agora, sem mandato e fora do protagonismo institucional, retorna ao Distrito Federal apostando em ataques pessoais e narrativas distorcidas, como se a população tivesse memória curta.
O caso envolvendo Fred Linhares é emblemático porque expõe uma estratégia recorrente: desqualificar o adversário sem sustentação factual. A atuação parlamentar se mede por dados públicos, objetivos e verificáveis, e não por recortes manipulados para viralizar em redes sociais. Quando o próprio documento apresentado contradiz a acusação, o discurso perde qualquer legitimidade.
Mais do que um embate entre nomes, o episódio serve de alerta sobre a qualidade do debate político que se tenta impor ao DF. Críticas são legítimas, divergências são naturais, mas a mentira deliberada corrói a confiança do eleitor e empobrece a democracia. Cabe à sociedade, à imprensa e aos próprios eleitores separar fatos de narrativas oportunistas.



